
A intensidade nem sempre é um sinal de qualidade
No universo do chá, certos sabores revelam-se de imediato. Assim que se abre a caixa e, depois, logo no primeiro gole, ocupam o espaço de forma evidente. Outros são mais discretos: por vezes, exigem alguns instantes de atenção antes de se revelarem.
Nenhuma destas abordagens é necessariamente melhor. Contam simplesmente duas formas diferentes de compor um chá.
Na Hollin, optámos muitas vezes pela contenção. Não porque procuremos a discrição a todo o custo, mas porque gostamos de deixar espaço para o próprio chá. Quando criamos uma mistura, procuramos um equilíbrio entre as folhas, os frutos, as flores ou as especiarias. Não queremos que um único elemento concentre toda a atenção.
Tomemos o exemplo de Éveil Bergamote.

Ao abrir a caixa, a bergamota está bem presente. Na chávena, torna-se mais subtil. O chá preto continua a marcar presença, a laranja traz redondeza e a maçã suaviza o conjunto.
A bergamota acompanha, em vez de dominar. Esta escolha é intencional.
Na moda, certas peças afirmam imediatamente a sua identidade. Outras privilegiam o material, o corte ou o detalhe. Ambas as abordagens encontram os seus apreciadores.
Por vezes, o chá funciona da mesma forma. Algumas pessoas procuram uma assinatura aromática imediatamente reconhecível. Outras apreciam sabores mais matizados, que surgem progressivamente ao longo da degustação.
A contenção não é ausência. Um sabor discreto não é um sabor inexistente. Expressa-se simplesmente de outra forma: por vezes com menos evidência, por vezes com mais nuances.
Na Hollin, não procuramos compor perfumes. Procuramos compor chás. É por isso que algumas das nossas criações podem parecer mais silenciosas à primeira impressão. Convidam menos a deixar-se impressionar do que a dedicar tempo à observação.
A intensidade nem sempre é um sinal de qualidade. Por vezes, a subtileza também o é.